terça-feira, 28 de abril de 2009

Hoje de manhã

Hoje, antes de chegar ao escritório, meio sem querer, me peguei fazendo duas coisas que deixaram o meu dia muito melhor do que os anteriores. Saí de casa e fui entregar uma encomenda áudio-visual na casa do Marquinhos e da Patilu.
Por ser também a casa do Pedro, que atualmente ocupa o cargo de “ senhor do tempo”, o dia na casa estava apenas começando. Explico, um pouco gripado, o Pedroca fez vigília e resolveu passar a noite vendo os pais acordados.
Marcos e Patilu com uma bruta cara de sono e o Pedroca alto astral e distribuindo sorrisos de bom dia pra todo mundo.
Então, eu ganhei vários destes sorrisos e parti para o escritório feliz da vida. No caminho, dirigindo, reparei que a manhã de hoje estava especialmente diferente. O sol, como numa típica manhã de outono, dava um brilho aconchegante no verde, no azul, no marrom e até o preto do asfalto brilhava diferente.
Um ventinho aquecido entrava pela janela do carro e deixava tudo muito esquisitamente perfeito. Chegou até dar medo. Muito tranqüilo, lindo, calmo e sereno pra ser verdade.
Por conta destas diferenças matinais, resolvi fazer outro trajeto para o escritório, mudei a rotina do meu caminho e subi a avenida Anchieta. No topo do Pôr do Sol, olhei para a esquerda e me deparei com o Banhando com um tom de luz muito suave, mas ao mesmo tempo intenso.
Deve ser assim na maioria das manhãs de outono, o difícil é prestar atenção, botar reparo e respirar um pouco desta imagem.
Foi o que fiz, já havia recebido um monte de sorrisos que nem esperava mesmo, porque não parar dois minutos e aproveitar para contemplar o “jardim” de São José dos Campos.
Fiquei sem graça e com a sensação que todo mundo estava me olhando, me achando um vagabundo que ainda não estava no escritório, quando desci do carro com uma máquina fotográfica. Pensei faço uma foto e depois guardo no Almoxarifado.
Na verdade quando fiz a foto pensei em escrever alguma coisa sobre São José, uma cidade que já começa a andar depressa demais pro meu gosto, mas que ainda não perdeu seus encantos de província.
Mas um registro sobre San Jose de Los Fields fica pra outro dia. A manhã de hoje, fez valer o resto dia.
Muito boa a sensação de prestar atenção nas coisas que passam desapercebidas. Uma simples visitinha de médico me tatuou sorrisos e me deixou com cheiro de bebê. Um olhar mais atento fez parar para dar cinco minutos de atenção para o Banhado.
Coisa boba, coisa sem muita importância, mas é assim que vai ser daqui pra frente.....já que as coisas importantes nunca vão deixar de acontecer, e as coisas bobas somem e prometem nunca mais voltar se a gente não parar para mordiscar o pezinho de um bebê e nem olhar pro lado enquanto estivermos dirigindo pro trabalho.
Uma manhã abençoada pelo meu xará.....São José

domingo, 26 de abril de 2009

Poema que se escreve com os olhos



Sempre acompanhei com uma certa “inveja branca”(aquela admiração, aquele sentimento do bem), o trabalho dos repórteres fotográficos. Eles são os únicos que, no meio da correria das redações, tem a chance de extrair algum sentimento de uma cena.
Enquanto repórteres ficam engessados aos fatos e narram o acontecido de maneira crua e simples, os fotógrafos apontam suas lentes e buscam pintar um quadro. O resultado é variável, pode chocar, emocionar, indignar e até mesmo arrancar umas gargalhadas, enfim, o fato é que o fotojornalismo é poema que se escreve com uma lente e um olhar atento.

Enquanto estive nas redações não tive o prazer de trabalhar com o Luciano Coca, apesar de conhecer e acompanhar o seu trabalho nas páginas dos periódicos. Nosso contato se estreitou depois que a Verbal/Alameda passou a existir. Dia desses, o Coca me enviou algumas imagens que podem ilustrar um trabalho de um cliente. Trata-se de um projeto independente. Há 11 anos, o Coca registra, por puro prazer, as cores, a magia e os semblantes das pessoas que participam da Festa do Divino, em São Luís do Paraitinga.

O resultado é que cada foto é uma estrofe de um emocionante poema que só os fotógrafos de corpo e alma sabem e podem “escrever”.

sábado, 25 de abril de 2009

Playmobeatles


Falar do Gansão no Almoxarifado me fez puxar na memória um caledoscópio de lembranças de todas as formas e de todas as cores. Fui voltando no tempo, sorrindo sozinho, suspirando baixinho por conta de um monte de coisas boas da minha pré-adolescência.
Sou péssimo em datas. Lembrar em que ano fiz tal coisa ou quando conheci tal pessoa é uma tarefa impossível de ser realizada, mas com certeza, foi na pré-adolescência que conheci o Ganso, que, alías, ainda nem tinha esse apelido, e era conhecido como fora batizado – Alexandre Coppio Ramos.
Pois bem, lá pelos meus 13 ou 14 anos travamos o nosso primeiro contato. Morávamos no mesmo bairro, estudávamos na mesma escola e não nos conhecíamos. Foi quando eu tomei pau, ou seja, quando me transformei em repetente na 5ª série que descobri meu “vizinho distante”.
Assim que começamos a nos encontrar fora da escola, uma das cenas que mais me marcou neste início de amizade foi quando, numa tarde, entrei pela primeira vez no quarto do Ganso e me deparei com uma imagem e uma constatação maravilhosa: O Gansão era o feliz proprietário de uma fantástica coleção de carrinhos Matchbox e outra enorme coleção de Playmobil.
Pausa
Explicação técnica para minha filha: Jú, Playmobil é o que você conhece hoje por LEGO, só que muito mais legal.
Explicação técnica para o Felipe: Fefeu, Matchbox é o que você conhece hoje por Hot Wheels, só que muito, mas muito mais legal.
Fim da pausa

Que coisa mágica é esta de ter 12, 13,14 ou 15 anos. Mais uns quatro ou cinco anos estaríamos nos alistando no exército, porém, guardávamos no castelo de nosso quarto, as riquezas de nossa infância – carrinhos, bonecos, jogos de botão e de tabuleiro, canetinhas Sylvapen e mais um monte de badulaques, que anos mais tarde iríamos morrer de saudade.
Pois bem, voltando à imagem do quarto do Ganso, lembro também que, além ficar hipnotizado tanto com a coleção, quanto com o cuidado que o tesouro era guardado, me senti aliviado porque também no meu castelo existiam tesouros parecidos com os dele. No meu quarto moravam um ou dois bonecos do Falcon, espadas de plástico e mais um monte de cacarecos infantis que resistiram ao tempo e estavam ali ocupando espaço sem se incomodar com as minhas mudanças hormonais e os “desafinos” de voz do pseudo rapazinho que começava a ganhar espinhas, a usar desodorante e a ver crescer os primeiros cabelos embaixo do braço.

Ainda com estas riquezas dividindo espaço no quarto iniciamos a fase de “curtir um som”. Foi quando descobrimos os Beatles e aos poucos fomos esquecendo dos brinquedos e coleções antigas...
Que a imagem que ilustra este post me faça lembrar sempre das boas fases da vida, deste rito de passagem da infância para a adolescência, que mistura playmobil com beatles, coloca até tudo junto e, de alguma maneira, por não nos desixar esquecer, nos deixa pra sempre meninos!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

BIG GOOSE!!!!


Bate uma saudade do tamanho do mar quando lembro:

De como éramos invencíveis
De como curávamos uma fossa escutando Beatles
De como celebrávamos a vida escutando Beatles
Da quantidade de quilômetros que andávamos a pé
Das viagens de ‘magrela’ até a rua XV para comprar discos
Das caminhadas sóbrias até algum barzinho
Da volta cambaleante cortando a neblina que baixava na 9 de julho
Das camisas de flanela xadrez
Das botas Laramie
Das confidências sobre amores platônicos
Da lista gigantesca de garotas inatingíveis
Dos ensaios barulhentos da maior banda de toda a São José...a nossa banda
Da sua primeira guitarra
Da minha primeira bateria
Da gargalhadas incontroláveis
Das madrugadas jogando War
Do primeiro encontro com um vídeo cassete para assistir Stones
Do seqüestro do carro do seu pai
Das sessões de fotos durante as férias em São José
Das inúmeras vezes que tentamos escolher o nome da banda
Da escolha das músicas para tocar no programa de rádio no ITA
Da vergonha em falar de namoro
Da viagem para Piuma
Do seu humor fino e cortante
Da sua inteligência
Dos finais de noite em que o único cigarro que restava era o seu Benson & Hedges mentolado (argggggggggh!!!)
Do meu primeiro contato com um CD
De dividir a sala de sua casa com a “dócil” Samantha.
Das visitas a sua casa para “garfar” uns discos mesmo quando você não estava
De sentir a falta de alguns discos e saber que você já havia “invadido” minha casa e surrupiado outros tantos.
De ter você sentado à mesa no lugar do velho Pasqua quando ele estava no hospital
De saber que era só colocar o lanche na mesa que você “adivinhava” e chegava para comer uns biscoitos de queijo.
De mais um tanto de coisas que estão comigo até hoje e deixam “sua ausência fazendo silêncio em todo lugar”

Gansão, fico imaginando você aqui e agora neste mundão globalizado. Internet, donwloads, Mp3, emails. Sinto sua falta, você bem que poderia ainda estar por aqui envelhecendo e gargalhando junto com a gente.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sem Censura




Nos últimos dias me peguei cometendo um erro imperdoável, praticamente uma quebra de contrato. Só hoje me dei conta de que estava (in)conscientemente filtrando, censurando, escolhendo o que deveria entrar ou não no Almoxarifado.
Uma atitude fora de propósito que derruba o principal objetivo deste meu lugar, que por definição, não deve e nem pode ser manipulado pela pessoa que é paga, e muito bem paga, para organizar as caixas deste espaço mágico, ou seja, EU.

Reconheci o erro depois que me percebi feliz, porém “podando” a vontade de escrever sobre ‘esta tal felicidade”, só porque achei óbvio e bobo registrar este estado de espírito. Oras Bolas!! Vá pentear macacos Almoxarife!!!!


Hoje, me declarei feliz.......
Inverti a ordem, baguncei o coreto
Fiz ao contrário e desatei o nó da garganta
Não segurei, falei... sem medo e sem culpa
Disse que amo
Disse que sim
Disse “eu também”

Hoje, me declarei sem vergonha
Organizei as idéias, arrumei a casa
Fiz do jeito certo, e fiquei de peito aberto
Não quis perder a chance
Não quis perder tempo
Não quis ficar devendo

Hoje me declarei calmo e tranqüilo
Desobedeci às ordens e atentei contra o pudor
Fiz o esperado e como isso me fez bem

Hoje me declarei maior de idade,
Com idade suficiente para me condenar a cumprir pena ao seu lado.
Prisão Perpétua......para todo o sempre, Amém

É isso!! Um texto sem censura prévia, sem revisão e sem auto-crítica, uma bela maneira para nunca mais cometer o pecado da empáfia e da vaidade neste ALMOXARIFADO.

domingo, 19 de abril de 2009

Impressões Mágicas

Peço licença para ser atrevido
Mas o fato é que, nestes últimos anos,
Nada de novo aconteceu
Nenhuma música me emocionou
Nada de verdadeiro apareceu

Mas, debaixo de uma tenda de circo
Um poeta trovador rodopiou suas fitas na cintura
Dedilhou acordes, falou do passado, do presente e do destino
Amplificou versos e palavras
Poetizou o amor como um repentista nordestino

Um palhaço cantante que hipnotizou minha retina
Uma música que batizou e acordou o menino
Um moleque, sem eira nem beira, atrás de um abraço nos braços de sua menina

No palco, o trovador rezava mais uma prece de amor
Enquanto alguém carinhava as cordas do violino
E, ao contrário de todo o fim, nada foi triste e nem tampouco trágico
Todos sairam melhores do que entraram
Abençoados, extasiados e inebriados com se fizessem parte de um eterno teatro mágico

Peço licença para ser verdadeiro
Mas o fato é que nestes últimos anos,
Nada foi tão atrevido
Nenhuma canção foi tão verdadeira
Do tipo que emociona e fica pra vida inteira

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pizzoferrato

querência
• sf (cast querencia) Reg (Sul)
Lugar onde um animal nasceu e se criou, ou onde se acostumou a viver, e ao qual procura sempre voltar quando afastado. Por extensão, usa-se com referência a pessoas, sendo, neste caso, sinônimo de pagos.
Amor, paixão. Var: querença.

A definição de querência, este regionalismo gaúcho, está nos dicionários. Mas, como explicar esta minha vontade de "voltar" a um lugar que eu nunca estive antes?
A atração por Pizzoferrato, terra dos meus avós Fabiano e Domenica e de meus tios Donato, Quintina e Adamo, é inexplicável, mas vem ficando mais forte a cada ano. Talvez, seja porque meu pai tenha sido o primeiro dos oito irmãos a nascer no Brasil, e apenas me contou o pouco que sabia sobre este vilarejo "só de ouvir falar". Outra razão é a eterna busca por nossas raízes que, com o passar dos anos fica cada vez mais acentuada. O fato é que algo me puxa para Pizzoferrato, este simpático vilarejo italiano, com impressionantes 1.200 habitantes que moram a 1.300 metros de altitude (bem parecido com Campos do Jordão, cidade escolhida pelos Fiorentini Pasquarelli no Brasil).
Bom, mas se o encantamento pelo vilarejo misteriosamente já existia, ele só aumentou depois que comecei a buscar mais informações sobre a terra dos meus "ancestrais" paternos.
Eis um comentário de uma turista blogueira sobre Pizzoferrato:

"A placa na entrada da cidade diz que Pizzoferrato é uma localidade "cosmoteândrica". Segundo a doutrina do Cosmoteandrismo, todo ser tem uma dimensão de consciência, de liberdade e de materialidade. Assim, as três dimensões - humana, divina e cósmica - são inseparáveis. (!!!). Nosso passeio durou um dia só. Passeamos pelos bosques e montanhas e voltamos no final do dia, mas, a vontade de ficar mais tempo era enorme e podia ser justificado pela placa de boas vindas que "dizia" "Bem-vindo a Pizzoferrato, a cidade da paz, do amor e do sorriso"!

É, o mistério da querência que me faz querer voltar a um lugar onde nunca estive começa a fazer sentido!!

domingo, 12 de abril de 2009

Eu sou tio!!


Depois que ultrapassei a barreira dos 40 anos, uma situação para a qual me preparei, e que certamente irei vivenciar, é que, mais dia ou menos dia, serei chamado de "tio". Não que este "título" me incomode, na verdade, já estou sendo chamado de tio pelos amiguinhos da Júlia e do Felipe, e até que a sonoridade me agrada.
O que será difícil, mas não menos engraçado, é que em um futuro não tão distante, serei identificado e chamado de tio por alguém que não conheço. Fico imaginando a seguinte cena: eu entrando em uma loja e reclamando que o produto que comprei está com defeito e, nervoso e sentido a pressão arterial um pouco alterada, peço a troca imediata para um vendedor bem mais jovem do que eu. Depois de um diálogo quente e tenso recebo um novo aparelho e, com ar vitorioso, deixo a loja bufando. A conversa entre o vendedor e o gerente da loja, logicamente depois que eu deixar o estabelecimento, é o que mais me intriga. Tenho certeza que eles irão dizer:

- Cê viu? Que tiozinho nervoso!!
- O tio nem deixava a gente falar!!

Mas isso não importa porque foge ao meu controle. O calendário corre e escorre entre nossos dedos e ser identificado como "o tiozinho ranzinza" será inevitável, mas o que vale a pena é você se sentir tio.
Isso mesmo, eu, como filho único sempre brinquei que nunca teria um "sobrinho de verdade", filho de um irmão, sangue do sangue, alguém para constar em uma bela e frondosa árvore familiar.
Mas o fato é que de uns quatro ou cinco meses pra cá, fui agraciado por um anjinho de pele clara que atende pelo nome de Pedro e, desde então, me sinto um verdadeiro TIO.
É, com a chegada do Pedro, eu me senti um autêntico titio, um babão com direito a sentir saudades e dar uma passadinha na casa do Marquinhos e da Patilu pra ver como anda o meu sobrinho.
De um jeito calmo, sereno, com um olhar que parece sorrir e um rostinho muito lindo, o Pedro chegou com a mansidão dos bons e o sono (qto sono!!) dos justos. Chegou abençoando a vida da Patilu e do Marquinhos e chegou para provar que sempre temos que responder a pergunta: e por que não??
Que o Pedro seja forte como o significado que seu nome encerra, que tenha a disciplina do pai e a coragem da mãe. Que seja zeloso como a Vovó Nilza e justo como o Vovô Beto. Que tenha os olhos e ouvidos atentos as mudanças do mundo como a Vovó Sheila e seja leal como o Vovô Ronaldo.......enfim, que traga em seus genes todas as virtudes das duas famílias, mas que principalmente, no tempo certo,aprenda a falar para me chamar a qualquer hora e sempre que precisar de Tio Biju.

Que todos os anjos te cubram de bençãos, meu sobrinho.